segunda-feira, 20 de julho de 2009

Diga NÃO aos textos apócrifos!




Certamente você já recebeu por e-mail, leu em blogs ou em páginas na Internet, muitos textos apócrifos, aqueles textos falsos que pululam na Internet, atribuídos falsamente a um autor. Fico realmente irritada com esse péssimo hábito de publicar e enviar textos sem se dar ao trabalho de checar a autoria dos mesmos. Até onde me lembro, o primeiro texto apócrifo que li era o falso poema "Instantes" atribuído ao grande escritor Jorge Luis Borges, que alinhavava frases piegas como: "Se pudesse viver novamente minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros... tomaria mais sorvetes... andaria descalço...". Lembram-se? Quem conhece o autor sabe que ele jamais escreveria esse texto. Na verdade quem tem familiaridade com os textos de Arnaldo Jabor, Luis Fernando Veríssimo, Mário Quintana, Vinícius de Moraes, Clarice Lispector e muitos outros escritores, sabe bem identificar quando os textos são verdadeiros ou falsos. Mas na dúvida, consulte, pesquise ou então não publique e nem repasse!


Muitos autores que têm seus nomes atribuídos aos falsos textos, já expressaram sua opinião e indignação na imprensa por diversas vezes. Um deles, Arnaldo Jabor, fala sobre os textos apócrifos, em seu artigo "Há um 'sub-eu' rolando na internet", publicado no Caderno 2, do jornal "O Estado de S.Paulo", em 17/06/2008. Leia aqui alguns trechos:




"Ando pela rua e as pessoas me abordam: “Adorei o seu artigo que está circulando na internet! Maior sucesso!” Pergunto, já com medo: “Que artigo?” “Esse texto genial que você escreveu, que se chama A Mulher Impulsiona o Mundo: ''É você mulher, quem impulsiona o mundo. É você quem tem o poder, e não o homem. É você quem decide. Bendita a hora em que você saiu da cozinha.'' Não me agüento e digo: ''Você acha que eu ia escrever uma bobagem dessas?'' Aí, o admirador do texto apócrifo, fã de um ''Jabor virtual'', se encolhe ofendido: ''Mas... tem coisas legais...'' E eu, implacável: ''Acho uma bosta...'' Pronto! O sujeito sorri amarelo e vira meu inimigo para sempre. Já reclamei aqui desses textos apócrifos, mas tenho de me repetir. Não dá mais. Todo dia surge na internet uma nova besteira, com dezenas de emails me elogiando pelo que eu não fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam - ''Teu artigo na internet é genial! Principalmente quando você escreve: ''As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro...''' ''Não fui eu...'', respondo. Elas não ouvem e continuam, sideradas: ''Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres na internet! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ''Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite. Querem estar sempre na moda, malhadas, mas não estão com nada, pois a imperfeição humaniza...'' '' Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: ''Ah... nem vem... É teu melhor texto...'' - e vão embora, rebolando, felizes. (...) Vejam este que surgiu e acaba assim: ''As mulheres de hoje lutam para ser magrinhas. Elas têm horror de qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba!'' ...Luto diuturnamente contra cacófatos e jamais escreveria ''cós acaba!'' Mas, para todos os efeitos, fui eu. A internet é a vala comum dos autores; lá eu sou amado como uma besta quadrada, um forte asno... Dentro da web, sou campeão mundial de lugares-comuns: ''Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!'' Ou: ''A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!'' (...) Fui eu, a mula virtual, que escreveu tudo isso. E não adianta desmentir. (...)
.


O escritor Luís Fernando Veríssimo, um dos autores brasileiros que vê sua assinatura em inúmeros textos que não são de sua autoria, participou do debate realizado pelo UOL, no Centro Cultural Banco do Brasil, em 11/09/2007, em São Paulo, que focalizou o tema "Como lidar com os plágios e a falta de credibilidade das informações que circulam na Internet? A web precisa de uma legislação específica?". O debate contou com a presença do escritor e também a do advogado Carlos Affonso Pereira de Souza, especialista em web e crimes virtuais. O encontro foi mediado por Marcelo Rubens Paiva e Roberta Garcia. Para ver o vídeo clique AQUI.

Sobre os textos apócrifos e plágios na Internet, você também pode informar-se lendo o livro da jornalista Cora Rónai, "Caiu na Rede", Editora Agir.


Não publique e nem repasse textos apócrifos!

9 comentários:

Eduardo P.L disse...

Sonia,

de pleno acôrdo! Uma vergonha e absurdo esses textos! Enganam os leitores e os "falsos" autores!

Muito oportuna sua postagem

Nóbrega disse...

Oi, achei seu blog procurando uam crítica sobre o livro a "Televisão" do Toussaint.
Muito bom e seguirei acompanhando.
abraços

Eduardo P.L disse...

Seu post foi premiado com o BLOG VICIADO da SEMANA!

Bjs

Caçador disse...

Excelente post, parabéns.
E parbéns também pelo destaque no Blogue Viciado do grande guru/decano/mestre de cerimónias da blogosférica iberoamericana, seu Jorge.

Bêjo

Luma disse...

Perfeito!!
Eu uso e-mail somente para assuntos rápidos e do contrário uso o telefone. Acho incrível a ociosidade do brasileiro e tempo para produzir lixo virtual.
Uma amiga tem um texto circulando na internet como se fosse de Clarice. Conta que ao dizer que é dela, a autoria, ainda debocharam. Eu heim?
Beijus

Eduardo P.L disse...

Sonia,

obrigado pelo seu comentario e link do blog dos lugares onde se editam os blogs!
Fui lá e gostei de saber que já existe quase TUDO nessa web. Quando se pensa que se esta inventado a roda.... srsrs

bjs e bom Domingo! Porque é dia de ECOLOGYCAL DAY

Anônimo disse...

Bom dia Sônia,
Obrigada por ser mais uma na luta contra esses malditos textos apócrifos e rídiculos que circulam pela internet. Infelizmente o povo brasileiro não lê, é um povo analfabeto funcional. Acredita em qualquer coisa que lê, não sabe distinguir o estilo literário de alguns escritores porque simplesmente não lê. Não sabe interpretar textos, não sabe escrever, não sabe nada. Recebe textos mal escritos, pseudo-intelecutais, bobagens de auto ajuda e ainda por cima desrespeitando grandes autores.
Boa semana para você.
Beijos
Simone

sonia a. mascaro disse...

Obrigada Simone por sua visita e comentário. Você tem razão, quem tem o hábito da leitura, seja de jornais ou livros, consegue distinguir através do estilo do autor se o texto é apócrifo ou não.
Um abraço.

Estevão Moura disse...

Olá...Parabéns pelo blog.
Mas eu faria uma ressalva com relação ao emprego da palavra apócrifo.Compreendemos hoje o termo como algo similar a "falso", "incorreto"...Mas na verdade, apócrifo é uma palavra de origem Grega e que significa "coisa escondida"! Acho bacana sua tentativa de esclarecer a todos que acessam seu blog sobre esses textos que rolam frequentemente na net de autorias sempre duvidosas quer seja pela maneira de escrever e algumas vezes até pelo ponto de vista mesmo dos supostos autores.
É isso, acho importante também colocarmos a PALAVRA livre de idéias fixas e isenta de nossas culpas; As palavras tem bem mais tempo que nós!

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